Powered By Blogger

terça-feira, 9 de março de 2010

Eu ainda nem tinha doze anos, meus seios doíam e eu não sabia o que fazer com aqueles novos pêlos. Eu não era bonita, nunca fui. Naquela época não me arrumava, pelo menos não do jeito certo, não positivamente. Independente disso eu me sentia bem, e cá para nós, eu deveria ser assim até hoje, me sentir bem independente do resto. Gostava do meu jeito, mesmo estando sempre em constante mudança, eu gostava. Eu sempre exagerava no lápis de olho, mas não me julgue ainda. Eu não fazia estilo de gótica, pelo menos não interiormente. Eu ainda estava descobrindo o mundo, descobrindo a música e principalmente os estilos, tudo bem que eu estacionei nesse, mas foi uma importante fase e sinceramente eu não mudaria nada. É interessante ver o mundo de um jeito mais obscuro, pelo menos foi para mim. Ainda tem um pouco daquela época dentro de mim. Eu não tinha muitas amigas, eu era bastante tímida. As poucas que tinha eram da minha época de infância, onde as palavras nunca sumiam. Eu tinha também uma paixão - é claro - todo mundo tem uma paixão nessa época. Sim, era platônica e totalmente oculta, pelo menos foi até um dia. Ele era um colega, mas eu o chamava de amigo. As poucas palavras que trocávamos eram sempre relacionadas a assuntos da escola, mas eu sempre ouvi um pouco mais no que ele dizia.

O seu nome eu não posso nem nunca poderei contar, - infelizmente ou felizmente - ele ainda faz parte da minha vida. A maneira com que ele faz parte, eu conto depois.



Os dias foram se passando e as manhãs se tornaram cada vez mais o momento mais esperado do dia. As noites de insônia me serviam como ensaio, eu treinava cada palavra e gesto, para o dia seguinte. Eu queria mostrar que eu era a pessoa certa, queria que ele olhasse para mim de uma maneira diferente. Mesmo que para isso, eu precisasse me transformar em algo que eu nunca fui. E eu fiz isso, coloquei uma máscara e subi no palco. Eu sabia que isso não ia dar certo para sempre, mas eu me contentava com alguns momentos de realiadadade, eu já estava cansada de sonhar. Eu era bastante tímida, mas meu sentimento não. Então, em questão de pouco tempo ele descobriu, não pela minha boca, porque me faltava coragem, mas pela boca de minhas melhores amigas. Hoje sei que esse foi meu maior erro, eu deveria ter o enfrentado. A incerteza da sua reação me assombrou até pouco tempo atrás. O que eu sei é apenas o que me contaram: Ele não disse nada, apenas assenou com a cabeça e saiu andando. Eu não sei se isso foi um sinal bom ou ruim, só sei que a partir desse dia ele nunca mais falou comigo, pelo menos não como antes. Eu tive que me despedir das implicâncias e apelidos e me acostumar com o novo colega da frente: Aquele que nunca mais disse olhando nos meus olhos. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário